50 anos de Schumacher – Maior vencedor da Fórmula 1 transformou três equipes em potências

Schumacher transformou times em campeões da Fórmula 1. Fotos AFP e CP Memória

Michael Schumacher completa 50 anos nesta quinta-feira. Meio século do maior de todos os pilotos de Fórmula 1, se a estatística conta exatamente a história da categoria, com seus sete títulos mundiais. Não falaremos aqui sobre boatos da sua condição de saúde após o trágico acidente na neve e sim de legado. Mais do que números, o heptacampeão tem história indiscutível de construir pilares de times campeões. Foi assim desde sua estreia em 1991.

Há 21 anos, Schumacher estreou na Benetton, equipe média com algumas vitórias e alguma evolução sob a tocada do quase aposentado Nelson Piquet. Ali, o time tinha cinco vitórias desde sua fundação em 1986, estava consolidado, mas nunca tinha dado o passo adiante para ser uma força colecionadora de títulos. Com Schumacher seriam 19 troféus no lugar mais alto do pódio.

Eis que a força aglutinadora do alemão e seu estilo perfeccionista criaram a estrutura que tornaria a Benetton time grande e, depois, serviria de herança para a campeã Renault, já lá nos anos 2000 com Fernando Alonso.

Muita gente já conhece a história dos três velocímetros durante testes com Pat Symmonds, é o tipo de coisa que ele exigia para logo em seguida provar os resultados em milhares e milhares de voltas de testes. Os fundamentos levaram o projetista Rory Byrne, o engenheiro Ross Brawn e o faz-tudo Symmonds a novos níveis de qualidade, ao mesmo tempo em que a Benetton criava corpo como força a ser batida.

Poderia ter continuado em 1996, com o imbatível motor Renault e a turma que já conhecia, mas veio o flerte da Ferrari. A Scuderia não tinha um caminho definido desde 1979, debateu-se com todo tipo de receita para tentar vencer e nem com o cirúrgico Alain Prost conseguiu chegar ao título.

Buscaram o jovem Schumacher. Ele não só fez mágica, inclusive com vitórias que o carro não merecia em 1996, como insistiu com o baixinho Jean Todt para que todo o seu time da Benetton fosse trazido para Maranello. Com Byrne e Brawn, a magia voltou e começaria a era mais dominadora de qualquer piloto na Fórmula 1. Até 2004, seriam cinco títulos mundiais e uma lenda que os tifosi nunca esquecerão.

Mas esse não foi o último grande projeto do Alemão. Depois de ficar quatro anos como consultor da Ferrari, longe das pistas, Schumacher voltou de forma improvável com a Mercedes, após um jogo de gamão dentro do seu jatinho com Toto Wolff. A memória imediata é a de dificuldades, com um carro que desgatava pneus e apenas um pódio para levar troféu para casa.

Na Ferrari, foram quatro temporadas até ganhar o título. Quatro anos depois de Schumacher, os carros prateados levantaram o caneco de 2014 e não perderam mais nenhum no Mundial desde então. Coincidência e a força imparável de Lewis Hamilton? Não apenas isso…

Em entrevistas, Wolff já relatou mais de uma vez: “Michael foi um dos fundadores do sucesso deste time”. Foi a experiência e capacidade inesgotável de exigir e acertar cada detalhe de um carro de Fórmula 1 de Schumacher que possibilitou às flechas de prata encontrar o caminho para as vitórias. Ele ainda deixou sua marca com uma pole-position em Mônaco, além do terceiro lugar em Nurburgring.

Ninguém descartaria a disputa por vitórias em 2013, mas o maior vencedor da história da Fórmula 1 traçou seu caminho e a nova geração chegou. Tivesse condição de pilotar um carro agora, porém, o maior vencedor da história estaria na parte de cima do grid.

Bernardo Bercht :